MESTRADO EM EDUCAÇÃO UNISAL
TÓPICOS ESPECIAIS EM DEDUCAÇÃO II :
EDUCAÇÃO, INCLUSÃO E SUBJETIVIDADE
MESTRANDA: ROSANA BATISTA VIEIRA NEVES
PROFESSORA NORMA SILVIA TRINDADE DE LIMA
PRODUÇÃO SOCIAL DA IDENTIDADE E DA DIFERENÇA
Tadeu Tomaz da Silva
COMENTÁRIO
Ao pensarmos em definições de identidade e diferença na cultura contemporânea, não devemos abordar o multiculturalismo em educação simplesmente como uma tolerância e respeito a diversidade cultural, pois impedem que vejamos com transparência a identidade e diferença como processos de produção social de construção estas que envolvem relações de poder.
Podemos afirmar que identidade e diferença não são entendidas como preexistentes, não são elementos passivos da cultura, são constantemente recriadas e estão diretamente ligadas com as atribuições de sentido ao mundo social e com disputa e luta em torno dessa atribuição.
Sintetizando o que é identidade estaremos igualmente nos referindo a diferença, pontuar que identidade não é uma essência, não é um dado ou um fato seja da natureza seja da cultura, na é fixa, estável, coerente, unificada, permanente, tampouco homogênea, definitiva, acabada, idêntica, transcendental. Por outro lado, podemos dizer que identidade é uma construção, um efeito, um processo de produção, uma relação, um ato performativo. A identidade é instável, contraditória, fragmentada, inconsistente, inacabada. A identidade está ligada a estruturas discursivas e narrativas, a sistemas de representação e tem estreitas relações com o poder.
Então ao afirmarmos o que somos estamos diretamente declarando tudo àquilo que não somos.
Analisando questão da identidade, da diferença e do outro percebemos aqui um problema social ao mesmo tempo em que é um problema pedagógico e curricular.
Numa perspectiva da Filosofia da diferença numa abordagem Pedagógica da diferença, devemos compreender que uma política pedagógica e curricular da identidade e da diferença tem por obrigação de ir além das benevolentes declarações de boa vontade para com a diferença. Ela tem que colocar no seu centro uma teoria que permita não simplesmente reconhecer e celebrar a diferença e a identidade, mas questioná-las, estimular o impensado e o arriscado, o inexplorado o ambíguo, em vez do que é consensual e já assegurado, do conhecido e do assentado, favorecer, oportunizar enfim toda experimentação transformando o eu de tal forma que torne difícil o retorno do eu e do nós ao idêntico.
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